Apresentação de Baianidade na mídia (27-11-09)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Herbert Viana: exemplo de superação

‘Herbert de Perto’ mais que documentário é um retrato de superação daquele que desde o começo liderou os Paralamas. Nordestino e filho de brigadeiro da Aeronáutica, Herbert Viana nunca abandonou a vontade de voar e a extrema habilidade musical. Apaixonado pelos filhos e pela esposa, Lucy, ele ‘renasceu’ em 2001 para a alegria da música brasileira.

Herbert não queria chorar com o documentário, mas até mesmo quem não se identifica com o som dos Paralamas do Sucesso se emociona com as imagens que narram a trajetória da vida dele. Os diretores, Roberto Berliner e Pedro Bronz, conseguiram realizar aquilo que propunham: ‘mergulhar na vida de um dos mais talentosos músicos brasileiros’ e mostrar ‘uma visão íntima e corajosa da vida e carreira do líder do Paralamas do Sucesso’.

O documentário começa na Paraíba, vai a Brasília, ao Rio, e até mesmo a Argentina. O pequeno Herbert e o irmão, Hermano, tinham aulas de violão quando moravam em João Pessoa, mas não demorou muito para Herbert ensinar ao próprio professor o que é dedilhar com talento nato. O violão foi trocado logo pela guitarra que nos anos 80 emplacou sucessos como ‘Óculos’, ‘Meu erro’, ‘Romance Ideal’, ‘Mensagem de Amor’, ‘Alagados’ e ‘Lanterna dos Afogados’. Hebert ao lado de Bi Ribeiro e João Barone são considerados por alguns como quarteto sagrado do rock brasileiro, juntamente com o Barão Vermelho, Titãs e Legião Urbana.

Sem ser apelativo, o documentário mostra ainda o acidente de ultraleve em que Lucy, a esposa de Herbert, morreu e o líder do Paralamas ficou paraplégico. Herbert se recuperou de forma admirável e as palavras deles em uma parte do documentário mostram qual o motivo da superação. Ele não lembra como aconteceu o acidente, mas lembra de estar caminhando com Lucy em direção a um a luz branca e ela pede para ele voltar e cuidar dos filhos deles.

Peça teatral nada brasileira

Tenho boas lembranças do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (Fiac) do ano passado. Foi o primeiro realizado e apesar disso, teve organização e trouxe para a Bahia espetáculos internacionais (França, República do Congo, Argentina e Portugal), nacionais (Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Brasília e Santa Catarina), e os baianos, claro, não ficaram de fora. Para os amantes do Teatro é uma ótima oportunidade de acompanhar o que está sendo produzido na área e também é uma chance de perceber as diferenças e peculiaridades destas produções.

Assisti no primeiro Fiac aos espetáculos ‘O Grande Criador’ (Portugal), ‘Melodrama’ (Rio de Janeiro), ‘O Cantil’ (Ceará) e os baianos ‘Deus Danado’, ‘O Sapato do Meu Tio’ e ‘Policarpo Quaresma’. Dessa vez, no segundo Fiac realizado em Salvador, meu primeiro dia não foi muito bem. Acabei de perder uma peça por descuido, perdi por questão de minutos. Na verdade, deixei de assistir a um espetáculo pelo hábito, nada conveniente, do brasileiro de chegar atrasado aos lugares. A peça teatral em questão era ‘Neva’ do grupo chileno Teatro El Blanco, que se debruça sobre temática de cunho político e social. O grupo deve apresentar também a montagem ‘Diciembre’. Ambas as peças estarão na sala do coro do Teatro Castro Alves.

Saí de casa às 18h50, visto que moro ao lado do TCA, fui ao banco sacar dinheiro e às 19h03 estava na portaria do teatro. Porém, fui informada pelos seguranças que as portas da sala do coro já haviam fechado. Indignada, ainda tentei entrar, conversei com inúmeras pessoas que poderiam permitir minha passagem e nada. ‘Neva’ começa exatamente às 19h e quem tiver fora não entra mais. Já assisti a outros espetáculos no TCA e nunca fui barrada. Pelo contrário, geralmente, consigo chegar antes e escolher o lugar onde me acomodar, mas dessa vez, perdi o ingresso e o que eu tinha programado para o sábado à noite foi por água abaixo.

Lembrando que no mesmo horário, o Campo Grande estava cheio de crianças e pais saindo do show ‘Patatí, Patatá’, na Concha Acústica. O típico fluxo de pessoas, carros, buzinas, congestionamento... Uma confusão. Vai saber, a peça é chinela e se passa em São Petersburgo, na Rússia; nada brasileira.

Festa de Omolu no Ilê Axé Opô Afonjá

É normal aos homens, numa visão etnocêntrica, se apegar às diferenças entre as religiões para reafirmar a sua. São comuns as críticas aos santos, aos orixás, à postura dos evangélicos, aos costumes dos hippies, ao modo de vida dos muçulmanos, enfim, o que é diferente a uma cultura é considerado bizarro, estranho para outra e por isso merecedor de críticas.

No entanto, como afirma o relativismo, todo julgamento é relativo a uma cultura. Não dá para julgar as práticas e os costumes alheios sem conhecê-los. É necessário se colocar no lugar do outro, entender como o outro vê o mundo para só então formar uma opinião sensata. Isso implica numa observação participante e num convívio prolongado com outras culturas sem tentar compará-las com o que julgamos como mais correto.

Assim, os trabalhos de campo são fundamentais para tentarmos relativizar o que consideramos diferente. Em maio de 2008, minha equipe de antropologia fez duas visitas a Igreja Universal do Reino de Deus. Primeiro, participamos de uma sessão do descarrego e na segunda visita acompanhamos o trabalho de um grupo de jovens.

Alguns dias depois, eu e outra equipe fomos ao Terreiro de Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, na Rua Direita de São Gonçalo do Retiro. Fundado em 1910 por Eugênia Anna dos Santos (Mãe Aninha), ele é um grupo dissidente do Terreiro da Casa Branca. Na época, fizemos uma visita em dia comum e participamos de apresentações dos alunos da Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos que funciona dentro do terreiro.

No dia, as crianças retratavam a criação do mundo e o mais interessante era que elas passavam para nós ao mesmo tempo a visão do candomblé e a visão da ciência sobre o tema. Além disso, elas aprendem dentro da escola algumas palavras da língua yorùbá. O idioma é falado pelos povos yorùbás há muitos séculos e é falado também na Nigéria, Benin, Togo e Serra Leoa. No continente americano, ele é utilizado em ritos afro-brasileiros. Por essa iniciativa, a Escola é pioneira no Brasil e é a concretização do sonho de Mãe Aninha e de Mãe Stella de Oxossi – desde o dia 11 de junho de 1976, Mãe Stella tomou posse como Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá por morte de Mãe Ondina de Oxalá.

Desta vez, meu retorno à Rua Direita de São Gonçalo do Retiro foi em nome da disciplina Cultura Baiana e Brasileira e antecipo de imediato que voltar ao Ilê Axé Opô Afonjá foi uma experiência incrível. Dia 26 de outubro deste ano, uma segunda-feira, o terreiro estava em festa por Omolu, também conhecido como Obaluaiê. O coração diante da porta do barracão ficou apertado, quase a saltar pela boca, mas no final estava mansinho. Eu e meus colegas de sala nunca tinham estado em um terreiro em dia de festa, portanto, não sabíamos o que esperar, estávamos diante do desconhecido, eis o motivo da ansiedade.

A música e a dança são elementos fundamentais do candomblé, acredito que são inseparáveis. Os atabaques começam a festa e aos poucos as pessoas iniciadas no candomblé pela Iyalorixá vão chegando em grupos ao barracão. Eles formam uma roda e começam a dançar. Noto que a cada nova ‘música’ tocada nos atabaques, os gestos da dança mudam, ora os braços balançam de frente para trás, ora as pessoas intercalam os gestos com rodopios, ora jogam os braços em direção ao centro da roda. Lembro como as pessoas presentes, aquelas que estavam ali para assistir, também dançavam e cantavam as músicas com desenvoltura. Algumas crianças ficavam, inclusive, atrás dos tambores formando uma espécie de coral. Enquanto isso, nós, que não crescemos naquela cultura, não conseguíamos compreender o que as letras diziam.

Somente ao chegar ao Ilê Axé Opô Afonjá lembrei que cada orixá tem sua cor preferida. Fui de vermelho e por sorte, fui informada que as cores de Omolu são preto, vermelho, branco e amarelo ou dourado. Ou seja, minha roupa não estaria dissonante. Portanto, poderia me sentir melhor.

No começo da festa, não fiquei surpresa, a música e a dança eram agradáveis, me senti à vontade e percebi como a música baiana incorpora a sonoridade dos atabaques, o que faz da música brasileira ainda mais diversificada. Os adeptos do candomblé relatam que é em uma roda que define-se o sentimento pela religião, pois eles festejam a natureza, festejam o nascimento, festejam os orixás e que vai pela primeira vez e se apaixona pelo que acontece durante a festa, não deixa o candomblé nunca mais.

É um momento mágico, de fato, vê as pessoas demonstrando tradição, responsabilidade, respeito e muita alegria por adorar os seus orixás, que são, na verdade, os descendentes dos africanos e também do povo brasileiro formado pelos escravos, índios e portugueses. Somos descendentes destas três matrizes étnicas e logo, também somos descendentes dos orixás. Mas quem é do candomblé percebe os orixás movendo suas vidas e mostrando-lhes o caminho a seguir.

Imagino como é uma alegria para eles sentir os seus deuses em forma humana, pois em outras religiões, Deus e os deuses são colocados como divinos e não possuem os defeitos humanos. Já no candomblé, quando os orixás se manifestam nas pessoas iniciadas, é uma alegria, visto que todos presentes no barracão podem se energizar. Os deuses do candomblé possuem personalidade, habilidades e características humanas como a raiva. Omolu, por exemplo, é o Deus da Morte, ele tem o poder de enviar e curar doenças epidêmicas e individuais.

Confesso que me senti apreensiva quando os orixás começaram a se manifestar por nunca ter presenciado tais cenas. Do momento de transe, posso resumir que a princípio fiquei um pouco assustada por ver filhos e filhas de santo rodopiando, alguns virando os olhos e outros gritando. Abaixei a cabeça várias vezes para evitar mirá-los. Mas aos poucos, observei que as pessoas iam se sentindo energizadas e como os orixás trazem força e proteção. Assim, eu não sofreria nenhum mal. Na segunda etapa, os filhos de santo entravam no barracão vestidos como Omolu – com corpos cobertos por véus e vestes de palha. Esta etapa, para mim, foi a mais bonita, o primeiro ‘impacto’ já havia passado e a minha opinião sobre a festa estava formada. No final, era a hora da oferenda: pipoca sem sal, feijão-preto e feijão-fradinho, aberém, servidos em folhas de bananeira. Os visitantes recebem as oferendas das mãos dos filhos de santo.

Lembro que participei da festa e somente depois, quando cheguei em casa, pesquisei sobre Omolu. Além disso, compreendi, pesquisando, o porquê de todas as pessoas que estavam presentes no barracão, exceto as que não eram do candomblé, batiam a mão direita no solo três vezes a cada nova música dos atabaques. Esta é a saudação de Omolu acompanhada pelas palavras “Atotô, Atotô, Atotô”, que significa “Silêncio, Silêncio, Silêncio, ele está entre nós! Ele está entre nós!”.

Pierre Verger já dizia que “O Candomblé sobrevive até hoje porque não quer convencer as pessoas sobre uma verdade absoluta, ao contrário da maioria das religiões”. Essa religião trazida ao Brasil pelos escravos é símbolo de resistência, luta e força. Minha experiência no Ilê Axé Opô Afonjá foi muito importante, pois vi todos os preconceitos que escuto em segmentos da sociedade caírem. Saí de lá com uma energia boa, porque percebi a expressão em cada rosto daqueles que conseguiam se sentir na presença de uma entidade superior. As crianças crescem naquela cultura, seguem os passos dos seus pais, sabem o yorùbá e vão manter vivas as raízes do Candomblé.

Yorùbá: língua, memória e parte da consciência do povo negro



Diferente de línguas mortas como o latim, o grego arcaico e o aramaico, há uma língua de tradição falada, surgida há milênios e que atravessou o Oceano Atlântico nos porões nos navios negreiros vindos da costa ocidental africana para sobreviver até hoje na Bahia: o yorùbá.

Dividido em centenas de dialetos e falado por 30 milhões de pessoas espalhadas por Benin, Nigéria, Togo, Serra Leoa e Cuba, termos como abadá, acarajé, afoxé, agogô, axé, caruru, ilê, kabula, oiá, vatapá, xinxin e zumbi mostram que palavras do dicionário yorùbá também fazem parte do dia-a-dia dos baianos. “O yorùbá é tão falado aqui na Bahia que as pessoas usam palavras no diálogo e não sabem que têm origem no yorùbá”, explica a coordenadora pedagógica da Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos, Alexsandra Oliveira.

Antes mesmo da implementação da lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história da África e da cultura afro-brasileira, a Escola, nascida informalmente na década de 70 como uma creche, já era referência no ensino das tradições e dos mitos africanos. Apesar de não existir uma disciplina específica para o ensino do yorùbá, a diretora Ana Lice Mendes esclarece que as crianças aprendem palavras de saudação e formas de tratamento da língua.



Chegada
Três grandes grupos foram trazidos para o Brasil no século XVI: Yorubá, culturas africanas islamizadas e tribos Bantu. Desde aquela época, a África era uma imensa babel de línguas e o Yorùbá era mais um idioma da família lingüística nigero-congolesa. Mas a língua ganhou destaque no estado baiano por ser a língua adotada pela Nação Ketu. “A maioria dos negros que chegaram à Bahia veio da Nação Ketu e o yorùbá é mais falado nas regiões originárias dessa nação”, ressalta a vice-diretora da escola, Ivanildes Nascimento.

O ensino
“Nós não ensinamos o yorùbá. Nós utilizamos palavras como paz, amor, com licença, bom dia, boa tarde, até logo... É uma forma de resgate da cultura africana, mas não existe uma disciplina especifica para o ensino do yorùbá na escola, até porque não é nosso objetivo. A escola é conveniada à Prefeitura Municipal e as matérias atendem a um currículo sistêmico. Implantar o yorùbá dentro desse sistema seria complicado, pois é uma língua muito difícil que pode gerar interpretações dúbias. Então, passar isso para as crianças seria um tanto complicado”, afirma a diretora da Eugênia Anna dos Santos.



A escola fica na rua Direita de São Gonçalo e funciona dentro do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, comandado pela ialorixá Mãe Stella de Oxossi. Em 1992, a escola foi incorporada ao sistema ensino de Salvador atendendo, atualmente, crianças 6 a 14 anos da 1ª a 4ª série. No entanto, mesmo que o projeto pedagógico contemple processos referenciais da cultura afro-brasileira, há crianças de outras religiões que seguem o conteúdo regular do Ensino Fundamental. A coordenadora pedagógica, Alexsandra Oliveira, afirma que a escola não trabalha com religião e sim com o resgate cultural.

Neste contexto, a referência estabelecida pela Escola Eugênia Anna dos Santos com o Yorùbá ajuda a fortalecer o elo Bahia-África. “É importante falar que a proposta da pedagogia da escola é o resgate da cultura afro-brasileira. O yorùbá é uma das diversas línguas faladas no continente africano, então, se nós trabalhamos com o resgate, porque não fazer referência a essa língua que é tão utilizada por este povo? São palavras mágicas que de certa forma ajudam a não deixar a língua perder. Se trabalhamos como a cultura afro-brasileira porque não trabalhar com os elementos dessa cultura como um todo?”, conclui a coordenadora.

Lula assina o reconhecimento de três áreas quilombolas no estado

Para 137 famílias quilombolas da Região do Rio São Francisco, a comemoração do Dia da Consciência Negra neste ano representou ainda mais do que tradição, identidade e reflexão. A data marca, também, o reconhecimento legal de posse dos territórios herdados de seus ancestrais.

As comunidades Jatobá, Lagoa do Peixe e Nova Batalhinha já foram refúgios para os escravos que alimentaram a economia da região no período colonial. Até hoje, os seus descendentes sobrevivem na área praticando a agricultura familiar e de subsistência, a pecuária e a pesca. Estes três territórios, às margens do Rio São Francisco estão entre as trinta comunidades quilombolas espalhadas pelo país contempladas por decretos de regulamentação de terras que foram assinados pelo presidente Lula às 17h do dia 20 de novembro, na Praça Castro Alves, centro de Salvador.

Pela primeira vez, termos de reconhecimento de territórios remanescentes de quilombos envolvem desapropriação de terras. Segundo o coordenador de Regularização de Territórios Quilombolas do Incra, Flávio Assis, muitos membros de territórios remanescentes de quilombos deixaram esses locais aos poucos, mas com a regularização, as comunidades podem ter mais estabilidade.

“Maior parte das comunidades quilombolas ficaram esquecidas do poder público no período pós-escravidão. Essas comunidades vivem da terra, tem uso coletivo da terra. Elas preservam muito sua cultura, suas tradições e a regularização fundiária vem justamente dá segurança a essas comunidades que por muito tempo passaram por um processo de expropriação desses territórios”, diz Assis.

Além da obtenção legal de 15.946 hectares, a partir de agora, as famílias de Jatobá, Lagoa do Peixe e Nova Batalhinha passam a ter prioridade na implementação de projetos do Governo Federal como o Luz Para Todos e o Bolsa Família. Enquanto isso, outras 22 comunidades quilombolas baianas esperam o reconhecimento por meio de portarias emitidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

Em treze comunidades, o RelatórioTécnico de Identificação e Delimitação (RTID), que identifica e delimita territórios utilizando pesquisas de ancestralidade, tradição e organização, foi publicado no Diário Oficial do Estado. Outros doze grupos aguardam a conclusão dos relatórios de reconhecimento pelo INCRA.

País
No total, foram regularizados 342 mil hectares em 14 estados brasileiros, com 30 comunidades reconhecidas oficialmente pelo Estado. O Maranhão encabeça a lista, com cinco áreas beneficiadas, alcançando um total de 654 famílias. Além das comunidades baianas e maranhenses, o decreto abrange grupos de Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Para o diretor de Ordenamento da Estrutura do Incra, Richard Torsiano, a medida, adotada pela primeira vez, tem um significado importante para a população brasileira. “O Governo Federal assume uma responsabilidade, assume um papel de resgatar uma dívida histórica com essas famílias”, diz Torsiano.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

30 Quadros por Segundo

O filme retrata,a vida de três adolescentes que moram em Nova York, apesar de serem amigos e andarem sempre juntos, cada um vive em seu universo.
Sammer tem o sonho em morar no Alasca e reencontrar seu pai, Ween tem o sonho de se torna patinadora de gelo profissional e ir para as olimpíadas e Dukie tem o sonho de ser um grande soldado norte-america.Estes jovens cheios de sonho,vivem uma vida de extrema dificuldade para ganhar dinheiro fácil, eles roubam as câmeras do turistas e depois assistem as gravações do turistas e conhecem o mundo através das imagens gravadas pelas próprias vítimas e também eles alugam a câmera para conseguir dinheiro para realizar seus sonhos.
Em 30 quadros por segundos, o mundo é mostrado no olhar destes três jovens , é um filme surpreendente do início ao fim.

Visita ao terreiro

É festa no terreiro
É a noite do Sagrado
É a noite de Omulu
Os atabaques anunciam
O elo entre o homem, os sagrado e a música
Abriu-se a roda
Por mulheres com seus vestidos rodados e rendados
Os homens com um traje específico
Eles falam com o corpo
E interpretam com a alma
Entregam seus corações a sua crença, a sua religião
A música ressoa pelo ar
O corpo fala, o corpo grita
E o ambiente é completamente tomado pela fé
A Bahia respira a África
E a África sente a Bahia
Tudo se mistura e vira uma coisa só

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Análise de textos feita por Jacques

Na primeira unidade foram trabalhados três autores: Darcy Ribeiro aborda de que maneira o povo brasileiro se constituiu. Sérgio Buarque de Holanda trata do desenvolvimento até os dias de hoje e Roberto da Matta discorre sobre as características atuais.
Darcy Ribeiro: Capítulos do livro O Povo Brasileiro
Começa resumindo os contatos entre índios, portugueses e africanos. Depois conta sobre cada uma dessas três matrizes que são a essência do povo brasileiro.

Sérgio Buarque de Holanda: Capítulos do livro Raízes do Brasil
Aborda a falta de coesão, de um espírito unificador, devido à mentalidade de que posso tudo, tenho livre-arbítrio. Aborda também a mistura entre a esfera pública e privada brasileira.

Roberto da Matta: Capítulos do livro O que faz o brasil, Brasil?
Aborda características pertinentes ao brasileiro. A questão identitária.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A moda dos Fios de Contas

De acordo com a mitologia do Candomblé os Fios de Contas (conhecidos também como Guias) são colares feitos de miçangas das mais variadas cores, dos mais variados materiais, e intransferíveis salvo as raras exceções. Sendo produzidos especialmente para aqueles que farão uso deles, os fios de contas no Candomblé representam essencialmente proteção dos Orixás.
Vindos da África para o Brasil esse conjunto de miçangas ganhou as ruas assumindo formas de acessórios para cabelos, broches, bolsas, e até roupas. Hoje, é possível combinar e criar diferentes estilos com pulseiras, brincos, sandálias, prendedores, anéis, tudo feito de contas e miçangas. Quem acaba ganhando são os artesãos que faturam com a venda desses acessórios. E o consumidor que acaba adquirindo um objeto personalizado.
Apesar da adaptação sofrida, os Fios de contas não perderam a sua simbologia e continuam sendo usados nos rituais e cerimoniais do Candomblé.

Unijorge recebe o diretor Pedro Bronz

Nesta quarta-feira a Unijorge recebeu a presença do diretor e roteirista Pedro Bronz que abriu uma sessão de perguntas e respostas sobre a produção do longa-metragem “Hebert de Perto” com direção de Roberto Berliner e Pedro Bronz .
O documentário que surgiu da história de vida e do drama que viveu o vocalista do Paralamas do Sucesso está entre os quatro filmes com a mesma temática que serão exibidos na 6ª edição do Festival Internacional de Cinema de Salvador.O evento é realizado anualmente pelo Grupo Sala de Arte promovendo a exibição de filmes, oficinas, mesas redondas.
Durante a sessão o diretor revelou que o filme surgiu de um acervo de material bruto que eles receberam para a montagem do longa e que durante a seleção de cenas, perdida entre o material, foi encontrada a frase que deu impulso para a produção do documentário “Se acontecesse alguma coisa comigo, eu teria capacidade de fazer tudo de novo” . A frase foi alvo de tamanha credibilidade, pois segundo Pedro, o Hebert é um cara que voltou à vida pela música.
O diretor quando questionado se o filme tinha o objetivo de falar sobre e vida do Hebert antes do acidente ou da banda, respondeu que o filme só é o que é por conta da história de vida de Hebert, porque senão seria totalmente diferente.
“O filme é uma história da saga de vida de um ser humano”, afirmou Pedro, “Nós tínhamos uma história na cabeça e nos baseamos no drama do Hebert para realizar a produção”.

A Noite dos Palhaços Mudos foi a noite em que apenas os risos soaram mais alto do que o silêncio.

O espetáculo teatral que surgiu baseado nos quadrinhos do cartunista Laerte Coutinho chegou à Salvador e tomou forma física no palco do teatro Sesc-Senac no Pelourinho.O texto que foi adaptado para o teatro é protagonizado por Domingos Montagner , Fernando Sampaio e William Amaral, sob a produção de Mariana Goulart e está entre os que se apresentam no Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (FIAC) de 23 a 31 de outubro.
A noite começou serena , não se ouviam sussurros nem burburinhos e a platéia digeria cada movimento atentamente.De repente o silêncio que até então parecia extraordinariamente incomum foi quebrado pelo som de um grande relógio que apontava a hora de fazer algazarra foi ai que eu começara a entender que tudo não se tratava de um drama, muito menos de uma epopéia, apenas um palhaço que havia perdido o seu nariz e que no auge do seu desespero foi tentado a aceitar a ajuda de um solidário companheiro de picadeiro, partindo assim numa jornada pelo nariz perdido.
Quem chegava por último achava tudo muito estranho, mas sem perceber em pouco tempo já estava preso a aquela mistura de mímica, dança, palhaçada, sonoridade e efeitos visuais que atraiam o público e despertavam a vontade de seguir também rumo ao resgate do nariz do palhaço. Pouco se notavam elementos no cenário, quando haviam eram bombas que explodiam e deixavam a sala com cheiro de pólvora durante 15 minutos, portões que apareciam e desapareciam numa extensão de segundos,cordas para escalada,mesas,carrinhos de brinquedo,sinos,janelas,serras elétricas,urnas e bonecos siliconados para boxe.
As simbologias estavam em todo lugar, no tamanho e na aparente fraqueza do palhaço, em seu nariz (resgate do riso), no vestuário dos “vilões da história”. Era o palco do teatro cedendo lugar para o picadeiro, podendo-se dar muitas gargalhadas com sátiras da vida cotidiana, musicais e menções a grandes produções cinematográficas. E sem perder o bom humor, resgatar valores de solidariedade, gentileza, amor ao semelhante, e nos fazer lembrar que ainda que hajam muitos problemas na vida ainda é possível sorrir.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O que somos nós?

Pergunte a um chinês de onde veio o seu povo, e a pergunta lhe parecerá tão óbvia que a resposta pode ser substituída por outra pergunta: ‘como assim?’ Há milhares de anos, alguns povos do extremo oriente já habitavam alguns países que aos poucos foram construindo a sua identidade nacional. O processo de ‘imigração’ (a chegada de pessoas de fora a um determinado local) é uma novidade para chineses, japoneses e coreanos: normalmente eles ‘emigravam’ (saíam de suas terras em busca de outras, como os japoneses que vieram ao Brasil e formaram o bairro da Liberdade em São Paulo), logo, suas identidades nacionais pouco sofreram alterações.
O Brasil, que nessa década completou apenas meio milênio, não consegue se enxergar de outra forma que não como mistura: os nativos dessa terra só são autodenominados ‘índios’ a fim de se unificar o conceito de ‘povos da América pré-colombiana’, mas entre as próprias tribos que habitavam a América antes da chegada dos europeus há muitas diferenças étnicas, como há entre os negros e entre os brancos. Os nativos dessa terra que por aqui estavam no ano de 1500 dizimaram outros tantos nativos, da mesma forma que os portugueses fizeram, e o reflexo da dominação européia é refletida na sociedade brasileira: hoje, há mais brancos no Brasil do que em Portugal.
Levando em conta que o processo de colonização não pode ser considerado um crime, tendo em vista que todos os grupos buscavam seus espaços, e quanto mais fortes eram, mais conseguiam sobrepor a sua força, os portugueses são considerados por muitos estudiosos das ciências sociais como os grandes vilões da nossa história. Ora, num mundo que ‘não pertencia a ninguém’, as terras eram disputadas como migalhas de pão, e seres humanos eram classificados como melhores ou piores (como ainda são) dependendo de sua etnia, uma maneira inteligente de justificar a dominação de pessoas que dariam como retorno a força de trabalho, pois os exploradores não queriam ‘sujar as suas mãos’. Nunca houve paz em nenhum canto do planeta ao longo da história das sociedades, e a África, que hoje é tão visto como oprimida, sempre viveu em pé de guerra devido a rivalidades milenares entre tribos hostis. Ao vencer um oponente, este era transformado em escravo e vendido, tantas vezes, para europeus que financiavam o tráfico negreiro afim de não depender apenas da mão de obra indígena, que já trazia problemas de resistência dos jesuítas, que tentavam dar mais humanidade aos índios.
Sendo uma ‘raça inferior’, não havia grandes problemas em escravizar os negros, que eram trazidos do seu continente em navios estrategicamente planejados para se evitar qualquer tipo plano de fuga: a África é repleta de diferentes dialetos e costumes, e dificilmente os negros encontravam semelhantes dos quais pudesse se comunicar a fim de se tramar algo contra os portugueses. Muitos africanos morreram na própria viajem de navio (que tinha péssimas condições de higiene), e os que chegaram aqui no Brasil precisavam de alguma forma arranjar uma forma de se defender de tão fortes explorações. Daí nasceu o Candomblé, um culto afro-brasileiro com raízes fortes nos santos católicos, a capoeira, uma mistura de dança e arte marcial que não eram percebidas pelos portugueses como ‘treinamento para combate’, e a culinária afro-brasileira, que se apropriou de elementos desprezados pelos portugueses, como algumas carnes, e daí nasceu, por exemplo, a feijoada.
Os índios e os negros resistiram bravamente contra o domínio europeu, mas o reflexo da sociedade nos dias de hoje mostra que ainda há muitas batalhas a serem travadas em prol da aceitação do brasileiro como um povo mestiço: existem muitos brancos pobres, mas há um ditado que diz que se você é negro e rico, provavelmente o seu nome é Pelé. As cotas no vestibular visam equilibrar as oportunidades de ingresso às universidades num país onde até a década de 90, predominavam alunos brancos na maioria das graduações (segundo relatos de muitas pessoas com as quais conversei de Salvador, São Paulo e Aracaju e Recife) e hoje, uma enorme miscigenação colore diversas salas de aula, nos dando a esperança de que, com oportunidades iguais, haverão menos barreiras para separarem as pessoas em oportunidades, e conseqüentemente, por condição social e etnia.
Não há relato sobre todas as histórias que se passaram por essas ‘adoradas e idolatradas’. Devemos respeitar muito esse chão que estamos pisamos, até hoje manchados do sangue de milhões de grupos que morreram na tentativa de proteger a sua integridade e conseqüentemente, dar a cara que o Brasil tem hoje. As matrizes étnicas, com a inclusão social, formarão um só povo, o povo brasileiro, mistura de cada pedaço do mundo num ‘país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza’. Não somos brancos, negros, índios ou amarelos: somos brasileiros, somos um pouco de tudo nesse país que tem de tudo um pouco.

O Mês das dúvidas

Onde está o lugar comum de todos os fins de ano pelo mundo, se o fim de ano é relativo para cada região do planeta? Para os chineses, o ano começa com o início da primavera, mas para nós ocidentais, a virada de 31 de Dezembro para 1º de Janeiro é o ritual simbólico que dá início a mais uma temporada. Pensar na ceia de natal, na paz do ‘reveillon’ repleto de roupas brancas e fogos de artifício pelo céu escuro que anuncia novos tempos pode ser um clichê desgastante, mas uma pitada de ‘algo mais’ pode transformar o ‘mês da despedida’ no mais emocionante de todos os meses.
Pelo menos essa é a proposta da peça “Diciembre” (Dezembro em espanhol), que arrancou da platéia todos os tipos de emoção na pequena Sala de Coro do TCA, em plena 4ª feira a noite. O Festival Internacional de Artes Cênicas deu luz a uma cidade ‘fria’ como Salvador tem se tornado: pessoas frias umas com as outras, vizinhos que não conhecem quem mora da porta ao lado, que pouco se importam se no outro andar do prédio há alguém que compartilhe do mesmo gosto musical que o seu ou que tenha problemas de difícil solução. Salvador terá a oportunidade de refletir sobre o seu futuro, e como Salvador somos todos nós, cada um de nós, soteropolitanos, devemos decidir se queremos viver com medo de quem está a nossa volta ou se nos abriremos para o mundo, como nas mais provincianas cidades do estado.
A peça “Diciembre” é chilena, mas poderia ser de qualquer outra nacionalidade: sensações universais como a bravura ou até mesmo ‘o medo’ todos os dias nos colocam em dúvida, e a única certeza que temos é que morreremos com elas. A busca por achar um melhor caminho pode durar toda uma vida, e no caso da peça em questão, foi o tema do enredo: o personagem de Jorge Becker é um militar chileno que, no ano de 2014, em plena guerra, tem tempo para passar um natal em família com as suas duas irmãs. Porém, o tempo é curto e ele logo terá de voltar ao combate, embora esteja extremamente perturbado pelas insanidades no conflito. E aí entram as suas duas irmãs, que por algum momento me pareceram ser seu sub-consciente em forma de grilo do Pinóquio, para darem um foco maior ainda a temática da peça: a dúvida.
Uma das irmãs faria o ‘possível e o ilícito’ para que o personagem de Becker não voltasse para o conflito, já a outra, via a representação militar como uma honra pátria (semelhante com o que acontece na história de Mulan, com a diferença que, além de ambientada no Chile – e não na China – sua irmã não chegou ao ponto de encarar uma guerra em seu lugar). Uma atitude nossa pode rumar o mundo das nossas vidas, e quem sabe os rumos do mundo. A cada passo seu, uma nova era estará em construção, e com o nome sugestivo ‘Diciembre’, o que seria o fim do ano ganha ares de um recomeço ardente de dúvidas e angústias, com a certeza de que da vida só nos sobrarão dúvidas e inseguranças.

Dezesseis Quadros por minuto

O Festival Internacional de Cinema nos deu um pouco de ‘luz ‘, em plenas salas escuras apenas refletidas pelas cores mais fortes e capazes de abrir as nossas mentes: as cores da arte. Os espaços escolhidos não poderiam ser melhores, afinal, tudo que esteja dentro de um shopping Center me faz sentir o cheiro de comércio, e no pequeno Cine Vivo, no Espaço Paseo, Itaigara, o que pude sentir foi um charme de um local vazio num dia de semana a tarde, com pessoas ao meu redor sem o mesmo furor pelas comprar como se vê por exemplo no Iguatemi, e com um espaço preocupado mais com os valores estéticos do que com apenas com a industrialização da arte.
Fazer arte é dialogar sem precauções, e sem maiores problemas em demonstrar um conteúdo de instrução politicamente correta, o filme ‘Dezesseis quadros por minuto’ (The speed of life, EUA 2007) mostra uma comovente história de alguns jovens nova-iorquinos que se divertem roubando câmaras de filmagem dos turistas e depois remontando partes desses vídeos afim de se contar uma nova história.
Aspectos da vida tradicional americana parecem ser desprezadas num filme que mais parece aderir a escola européia do que a comercial Hollywood. O personagem principal, Sammer, tem apenas 13 anos, mas carrega em si um aspecto transgressor em sua postura , com um cabelo grande, um jeito um tanto introspectivo e um olhar perdido e misterioso, me lembrou bastante o visual dos músicos do Strokes, que por sinal são de Nova Iorque.
Relações familiares conturbadas, um adulto vestido de super-herói disposto a aderir à brincadeira dos seus amigos crianças e promessas de uma vida melhor não concretizadas: todo esse universo extremamente exótico numa cidade de padrões tão antagônicos faz a imaginação de Sammer voar para bem longe, em busca de um mundo em que seus sonhos projetaram. Seu pai lhe prometeu uma viajem para o Alaska, e a sua expectativa se mantinha na medida em que cada vez mais seu mundo ia se reconstruindo, e seu irmão, um presidiário, era o que mais tentava te puxar para a realidade, tamanha amargura que era ver alguém livre disposto a criar sonhos proibidos para quem é vigiado por policiais todos os dias, embora de certa forma Sammer conte com a sorte para não ter o mesmo destino de seu irmão.
Os Estados Unidos do qual estamos acostumados a ver em filmes não está presente em ’16 quadros por minuto’, para começar, a constituição familiar não leva a padronização hollywoodiana, e no lugar de belas casas e jardins floridos, há muitos prédios e ares de uma vida cosmopolita, que poderia estar acontecendo tanto na própria Nova Iorque como em São Paulo, Londres, Tóquio e etc.
A arte de filmar passa pela arte de descrever: com diversos filmes nas mãos, Sammer e seus amigos fundiam vídeos e criavam novas histórias, e dessas histórias surgia algo novo, totalmente distorcido da realidade em que as pessoas que viveram a experiência nos vídeos tivessem passado. Acima de tudo, ‘16 quadros por minuto’ é um convite a um mundo de fantasia como almoço e uma queda brusca para a realidade como sobremesa.

Da estrada ào terreiro

Ir a um Terreiro de Candomblé em dia de festa não foi uma novidade para mim: há dois anos atrás fui a um terreiro na Estrada Velha do Aeroporto. Dessa vez, eu não estava sendo levado: de certa forma eu fui uma diretriz responsável pela ida de mais quatro pessoas, colegas de sala envolvidos também no projeto da matéria Cultura Brasileira e Baiana.
Ao buscar Lilia, Luana e Izana no Iguatemi, rumamos para o Cabula: eu não fazia idéia de como chegar lá, e confiei no senso de direção de quem por la passou. Uma pequena desatenção nos fez pegar a BR-324! Perdemos outro retorno e só nos sintonizamos ao chegar na Estação Pirajá: nada mal para um garoto acostumado com a Pituba, Costa Azul e etc. Todos os paradigmas de certa forma seriam quebrados na imensa viajem que além de espacial (no sentido de ‘espaço físico’) me levariam a outra concepção de mundo, enxergando uma Salvador mais plural e democrática.
Ao chegar no Terreiro, notei que outras pessoas da Faculdade também estavam, pelo mesmo interesse que agente. Os rituais aconteceriam no centro de um salão, onde do lado direito da porta sentavam apenas as mulheres, e do esquerdo apenas os homens. A hierarquia se fez presente em diversos momentos, a exemplo do respeito aos mais velhos e experientes, e quem ali está antes de qualquer coisa deve seguir a risca as normas estabelecidas, estando lá por identificação com o Candomblé ou apenas para fazer o projeto: se o brasileiro tem dificuldade para seguir normas, como alguns autores defendem, ao menos há espaços selecionados onde o respeito prevalece, e um desses espaços foram os terreiros que visitei, e imagino que o Candomblé em si siga uma linha de tradição na qual a transgressão não é bem vista, e em muitas vezes, a transgressão não deve acontecer, afim de se manter um pouco do que ainda se sobrou de herança cultural do nosso povo brasileiro, que até hoje consegue mostrar o quanto é especial, seja pelo seu jeito ‘subversivo’, seja pelas suas instituições reguladoras.