Apresentação de Baianidade na mídia (27-11-09)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Dezesseis Quadros por minuto

O Festival Internacional de Cinema nos deu um pouco de ‘luz ‘, em plenas salas escuras apenas refletidas pelas cores mais fortes e capazes de abrir as nossas mentes: as cores da arte. Os espaços escolhidos não poderiam ser melhores, afinal, tudo que esteja dentro de um shopping Center me faz sentir o cheiro de comércio, e no pequeno Cine Vivo, no Espaço Paseo, Itaigara, o que pude sentir foi um charme de um local vazio num dia de semana a tarde, com pessoas ao meu redor sem o mesmo furor pelas comprar como se vê por exemplo no Iguatemi, e com um espaço preocupado mais com os valores estéticos do que com apenas com a industrialização da arte.
Fazer arte é dialogar sem precauções, e sem maiores problemas em demonstrar um conteúdo de instrução politicamente correta, o filme ‘Dezesseis quadros por minuto’ (The speed of life, EUA 2007) mostra uma comovente história de alguns jovens nova-iorquinos que se divertem roubando câmaras de filmagem dos turistas e depois remontando partes desses vídeos afim de se contar uma nova história.
Aspectos da vida tradicional americana parecem ser desprezadas num filme que mais parece aderir a escola européia do que a comercial Hollywood. O personagem principal, Sammer, tem apenas 13 anos, mas carrega em si um aspecto transgressor em sua postura , com um cabelo grande, um jeito um tanto introspectivo e um olhar perdido e misterioso, me lembrou bastante o visual dos músicos do Strokes, que por sinal são de Nova Iorque.
Relações familiares conturbadas, um adulto vestido de super-herói disposto a aderir à brincadeira dos seus amigos crianças e promessas de uma vida melhor não concretizadas: todo esse universo extremamente exótico numa cidade de padrões tão antagônicos faz a imaginação de Sammer voar para bem longe, em busca de um mundo em que seus sonhos projetaram. Seu pai lhe prometeu uma viajem para o Alaska, e a sua expectativa se mantinha na medida em que cada vez mais seu mundo ia se reconstruindo, e seu irmão, um presidiário, era o que mais tentava te puxar para a realidade, tamanha amargura que era ver alguém livre disposto a criar sonhos proibidos para quem é vigiado por policiais todos os dias, embora de certa forma Sammer conte com a sorte para não ter o mesmo destino de seu irmão.
Os Estados Unidos do qual estamos acostumados a ver em filmes não está presente em ’16 quadros por minuto’, para começar, a constituição familiar não leva a padronização hollywoodiana, e no lugar de belas casas e jardins floridos, há muitos prédios e ares de uma vida cosmopolita, que poderia estar acontecendo tanto na própria Nova Iorque como em São Paulo, Londres, Tóquio e etc.
A arte de filmar passa pela arte de descrever: com diversos filmes nas mãos, Sammer e seus amigos fundiam vídeos e criavam novas histórias, e dessas histórias surgia algo novo, totalmente distorcido da realidade em que as pessoas que viveram a experiência nos vídeos tivessem passado. Acima de tudo, ‘16 quadros por minuto’ é um convite a um mundo de fantasia como almoço e uma queda brusca para a realidade como sobremesa.

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